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Jovens criam rede Wi-Fi para operar em desastres naturais

Os DuckLinks são capazes de criar redes Wi-Fi em áreas sem cobertura celular Foto: David Williams / Photographer: David Williams

apartamento apertado no Brooklyn, em Nova York, um pequeno grupo de jovens nerds desenvolveu uma nova forma de usar a tecnologia para ajudar a salvar vidas em desastres naturais. Eles projetaram minúsculos nós eletrônicos dentro de uma carcaça de borracha do tamanho de uma bola de beisebol, capaz de criar uma rede Wi-Fi que cobre mais de 250 quilômetros quadrados. É um conceito simples e relativamente barato, mas durante um desastre natural, quando as torres de celular caem, a tecnologia falha e comunidades inteiras ficam no escuro, a comunicação pode ser a diferença entre a vida e a morte.

 

Os cinco jovens se conheceram competindo uns contra os outros em hackathons. Eles se juntaram para competir num concurso organizado ano passado pela International Business Machines Corporation, chamado Call for Code, que pede a desenvolvedores a usarem a nuvem, a inteligência artificial e outras tecnologias para melhorar as respostas a desastres naturais.

 

Eles apresentaram o Project Owl (coruja em inglês, acrônimo para “Organization, Whereabouts and Logistics”), que usa uma rede feita de hubs parecidos com patos de borracha, que podem flutuar em áreas inundadas. Após ser implantada, civis podem usar seus celulares para se conectarem com socorristas. Profissionais dos serviços de emergência podem obter dados sobre o clima e outras informações pela nuvem.

O time venceu a competição, batendo mais de 2,5 mil participantes, com prêmio de US$ 200 mil. Em março, eles se uniram a profissionais da IBM para instalar os dispositivos, conhecidos como DuckLinks, em cinco regiões de Porto Rico devastadas pelo furacão Maria, em 2017.

— Nos piores desastres, o caos e a desinformação são generalizados — afirmou Bryan Knouse, de 28 anos, diretor executivo e co-fundador do Project Owl. — Com melhores informações e análises, você pode obter os recursos necessários para os lugares que mais precisam.

Também fazem parte do projeto Charlie Evans, de 32 anos; Nick Feuer, 25; Taraqur Rahman, 27; e Magus Pereira, 23.

Durante o programa piloto de duas semanas, o Project Owl prendeu DuckLinks em árvores nas florestas, no topo de dunas de areia nas praias, em portas de carros e em frestas de penhascos. Até flutuou acima de edifícios com balões de hélio. Com 23 DuckLinks, eles conseguiram criar uma rede de internet de uma milha quadrada, sendo possível se comunicar pela rede em áreas sem cobertura celular.

Quando os dispositivos são conectados, uma rede de Wi-Fi de emergência aparece nos smartphones direcionando os usuários para um portal onde eles podem mandar mensagens para os primeiros socorristas e para as equipes da defesa civil. O Papa Duck, um serviço em nuvem conectado a todos os DuckLinks, oferece uma visão panorâmica do número de civis que acessam o portal de emergência e o que eles mais precisam.

O Project Owl espera ter testes suficientes para que a rede esteja pronta, ainda com baixa capacidade, para a temporada de furacões da Costa Leste dos EUA, que começa em julho. Então, cada segundo conta.

Desde 2000, mais de 2,5 bilhões de pessoas foram diretamente afetadas por um desastre natural, com o impacto econômico na casa dos trilhões de dólares. Combinados, 2017 e 2018 foram os anos com mais prejuízos provocados pelo clima, com perdas totais de US$ 673 bilhões, de acordo com análise da seguradora br— Minha esperança é que sejamos capazes de ajustar redes de internet rapidamente a baixo custo, e que elas funcionem — afirmou Knouse. — Não precisa ser uma tecnologia militar extravagante; parte do que torna uma solução profunda é ser simples e criativa.

Greg Hauser, gerente de comunicações para o gerenciamento de emergências na Carolina do Norte, foi responsável por restaurar grandes redes após o furacão Florence atingir a região, em setembro do ano passado, matando 53 pessoas e cortando a energia de quase dois milhões. Para restabelecer as comunicações, as operadoras de telefonia móvel transferiram torres móveis para os condados que ficaram sem serviço. Mas em alguns casos, esse procedimento levou até 20 horas, deixando vítimas e socorristas incomunicáveis no período mais crítico do resgate.

— Se o Project Owl pudesse gerar algum tipo de conectividade de rede, seria um divisor de águas para nós — avaliou Hauser.

A Weather Company prevê que sete furacões vão atingir os EUA em 2019, com potencial para três grandes eventos. Mas apesar de o programa piloto do Projeto Owl provar que o sistema pode funcionar, o time sabe que ainda há um longo caminho a ser percorrido.

— O Project Owl ainda está em fase de start-up — disse Knouse. A sede atualmente está na sua sala de estar, no Brooklyn, com um banco para soldar os DuckLinks ao lado do sofá. — Chamar de sala de estar não seria verdadeiro. É realmente um chão de fábrica.

 

O objetivo é criar uma rede de 100 milhas quadradas, cerca de 250 quilômetros quadrados, mas agora miram numa rede com 10 milhas quadradas. O próximo teste está planejado para o fim deste mês, com a fixação de DuckLinks em árvores num parque nacional em Houston.

 

Fonte: https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/jovens-criam-rede-wi-fi-para-operar-em-desastres-naturais-23644877

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