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Moradores de Macaé e portadores de autismo participam de festival expondo quadros pintados com o tema “Os Patuás da Bahia”

Mais uma vez, o nome da cidade de Macaé foi muito bem representado por grandes talentos da pintura. Os jovens Davi Santos Portugal, de 10 anos, e Pedro Hall, 14, ambos de Macaé, participaram em dezembro do Festival Eyecontact de Artes para Autistas.

O evento foi realizado em parceria com o Congresso de Autismo Bahia de Todos os TEA. TEA significa Transtorno do Espectro Autista. Os jovens participaram expondo lindos quadros pintados por eles, com o tema: os Patuás da Bahia. Os trabalhos com a pintura, bem como a criação dos quadros, foram acompanhados pelo artista plástico Luciano Pauferro.

Davi dos Santos Simões Portugal, em 2019, conquistou o primeiro lugar no festival. Pedro Hall ficou em segundo lugar. Para a mãe do Davi, Jamile Portugal, o autismo é só uma condição e não define a capacidade de ninguém. É só o início de uma trajetória e não o fim.

“E assim vamos vivendo e superando os desafios, um dia de cada vez. Sempre digo ao Davi que ele é um vencedor por conseguir superar os desafios que a própria vida impõe diariamente a ele, e que ele é capaz de realizar todos os seus sonhos e chegar onde quiser, pois sempre estaremos ao lado dele para aplaudi-lo e incentivá-lo na sua trajetória e também acolhê-lo sempre que precisar de apoio e o que for necessário. Estamos muito felizes com mais esta conquista. Pela arte, foi possível desenvolver habilidades sociais importantes, e o Davi tem se superado a cada dia. Agradecemos e parabenizamos o artista plástico Luciano Pauferro, que ministra as aulas de pintura em tela para os meninos, por essa grande conquista, por toda a paciência, empatia, sensibilidade, dedicação pelas ideias dos desenhos e cumplicidade e incentivo nas aulas, por todo seu carinho com seus alunos, transformando vidas por meio de sua arte. Essa vitória também é sua. Parabéns também ao Pedro Hall. O quadro dele também ficou maravilhoso. Você também é um campeão”, declarou.

Davi e Pedro participaram da segunda edição do Festival Eyecontact de Artes para Autistas. Segundo a organizadora do festival, Graziela Gadia, o projeto Eyecontact – Lives Shaped by Autism tem como causa as mães dos autistas porque são elas a principal voz do autismo no mundo e no Brasil. “São as famílias dos autistas que fazem a diferença na sua comunidade, diversos projetos sociais são as famílias, a sociedade civil que se mobiliza para ajudar as outras famílias”, explicou Graziela, que mora em Weston, na Flórida. 

Ainda segundo ela, o eyecontact acredita na arte e no esporte como um drive no tratamento de autistas e crianças com atraso no neurodesenvolvimento. Artista plástica, Graziela afirmou que sempre desejou trabalhar com crianças especiais e por isso promove o festival todos os anos. Muito feliz com o resultado do festival, a organizadora afirmou que é incrível como esta premiação faz bem não só as crianças, mas também aos pais.

Ao todo, segundo Graziela, foram selecionados 10 trabalhos entre os 30 recebidos. A seleção foi feita por um corpo de júri composto por uma avó de uma criança autista.

Professor de artes plásticas de garotos com Transtorno do Espectro Autista, Luciano Pauferro afirmou que os resultados têm dado a ele um sentido mais nobre e positivo na sua vida. “A eles, o meu aplauso, pois são muito talentosos e merecem as suas conquistas de 1º e 2º lugar neste festival de artes para autistas da eyecontact. O Davi é uma criança que gosta de pintar há muito tempo, e devido a este gosto, esta tendência para arte é que vamos buscando orientar com técnicas e estilos de pintura”, explicou.

Segundo o professor, Davi gosta do estilo Surrealista, gosta de ver a transformação de figuras, a forma com que elas se entrelaçam em outras figuras, as cores, o oculto dentro das formas, as figuras estilizadas. “A gente se diverte buscando compor estes temas. No trabalho premiado em questão, nós fomos montando juntos, as vezes eu sugeria um ponto, ele acrescentava outro, até compor o desenho na tela, então preparamos para colorir e aí eu deixei por conta dele, pois é um concurso e ele é quem tinha que mandar ver nas cores, ele falava a cor eu colocava na paleta, e assim concluímos o trabalho. O Pedro Hall, que também adora desenhar e pintar, busca uma pintura mais realista, tem uma atenção espetacular nas suas pinturas, perfeccionista por excelência. Até brinco com ele, às vezes passo a borracha para apagar parte de um traço que ele fez, só para vê-lo corrigir e dizer “para tio”. Então, eu repito o feito e ele me olha com uma cara engraçada e nós dois rimos muito e continuamos nosso trabalho como duas crianças. Quando termina a aula, os pais até perguntam se estávamos brincando ou pintando. E não foi diferente com o tema premiado em 2° lugar no concurso, foi com a harmonia do riso, do humor e do bom astral com uma pitada de responsabilidade na importância do que estava sendo projetado, e o resultado é este que estamos vendo. Ministrar aulas a estas crianças autistas, buscando, por meio da arte, um mundo mais colorido e interagindo elas com esse nosso mundo, é para mim de uma importância que vai além desse mundo físico”, ressaltou.

FONTE: https://cliquediario.com.br/cultura/moradores-de-macae-e-portadores-de-autismo-participam-de-festival-na-florida-nos-estados-unidos-expondo-quadros-pintados-com-o-tema-os-patuas-da-bahia

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